Agricultores e agricultoras piauienses reivindicam políticas públicas de convivência com o semiárido

Nesta quinta-feira, dia 22 de março, é comemorado o Dia Mundial das Águas, e para celebrar o dia cerca de 500 agricultores e agricultoras familiares e lideranças comunitárias do Piauí realizaram pela manhã um Ato Público na Praça Francisca Trindade, ao lado da Igreja São Benedito, no centro de Teresina/PI. Participaram da manifestação representantes das cidades de São Raimundo Nonato, Caracol, Dom Inocêncio, Canto do Buriti, Paulistana, Simplício Mendes, Queimada Nova, Jaicós, Padre Marcos, Pedro II, Castelo, Piracuruca, Oeiras, Parnaíba e Teresina.

Uma ação do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, o Ato Público buscou chamar a atenção da população para o uso racional da água, denunciar a falta de assistência por parte do governo em relação às famílias já atingidas pela estiagem, e reivindicar a suspensão da implantação de cisternas de plástico e continuação da construção de cisternas de placas de cimento no semiárido piauiense.

Durante a manifestação, foi realizada ainda uma caminhada em torno da Avenida Frei Serafim, uma das principais avenidas de Teresina/PI, até o Palácio de Karnak, palácio do Governador, na qual representantes do Fórum foram recebidos pelo assessor José Luis Martins Maia, que recebeu um documento produzido pelas entidades da sociedade civil reivindicando a implantação de políticas públicas de convivência com o semiárido. O assessor garantiu que no prazo máximo de dez dias, o Governador irá receber uma comissão formada por representantes do Fórum para uma conversa.

Segundo o Coordenador do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Carlos Humberto Campos, esse documento – uma proposta de convivência com o semiárido – foi protocolado na última terça-feira (20) no Palácio de Karnak, dentre os principais pontos apresentados, está a implantação de políticas públicas para a convivência com o semiárido, “propomos a formação de um comitê formado por órgãos governamentais e da sociedade civil que serão os responsáveis pela construção e implementação dessas políticas, superando assim, a política de combate a seca”, explica o Coordenador.

Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido

Quatorze entidades da Sociedade Civil compõem o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, são elas: Cáritas Brasileira Regional do Piauí, Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato, Centro Regional de Assessoria e Capacitação (Cerac), Centro Regional de Assessoria e Capacitação (Celta), Centro de Formação Mandacaru, Cootapi e Associados, Escola de Formação Paulo de Tarso, Obra Kolping, Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetag), Centro de Formação e Educação Ambiental Peixe que Ronca, Centro Educacional São Francisco de Assis (CEFAS), Centro de Formação Educacional para a Convivência com o Semiárido (CEFESA) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Serviço de Mobilização e Assessoria para o desenvolvimento Sustentável Regional (SEMEAR).

Essas entidades atuam em 123 municípios do semiárido piauiense beneficiando aproximadamente 50 mil famílias, com 40 mil cisternas de placas de 16 mil litros (através do programa Um Milhão de Cisternas P1MC) e cerca de 10 mil tecnologias de produção como bomba d’Agua popular, tanque de pedra, barragem subterrânea e cisterna de 52 mil litros (através do programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2).

Os dois programas são desenvolvidos pelo Fórum através da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) com o apoio do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) e têm o objetivo de cuidar da água de beber, da água para a produção e para os animais. O P1MC tem como objetivo levar uma cisterna para cada família que sofrem com a falta de água, para que elas possam colher e guardar a água de chuva através do telhado. A ideia é que a partir do impacto desse trabalho, o P1+2 possa pensar no acesso a terra e a água como alternativa de levar segurança e soberania alimentar para as famílias.

por Sabrina Sousa, assessora de Comunicação da Cáritas Regional Piauí

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