A Quaresma está chegando e, com ela, a campanha da Fraternidade.

Quaresma é tempo de conversão nos três níveis: pessoal, comunitário e social.

Desde1964 aIgreja do Brasil apresenta temas para a conversão com os objetivos de:

  • educar para a vida em fraternidade, com base na justiça e no amor e
  • renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização e na promoção humana, tendo em vista uma sociedade justa e solidária.

Este ano o tema é a SAÚDE PÚBLICA, entendida como arte e ciência de prevenir a doença, prolongar a vida, promover a saúde e a eficiência física e mental mediante o esforço organizado da comunidade, abrangendo o saneamento do meio, o controle das infecções, a educação dos indivíduos, a organização de serviços médicos e o desenvolvimento de uma estrutura social que assegure a todos um padrão de vida adequado à manutenção da saúde.

Por isso não podemos reduzir saúde pública ao dever do governo de cuidar da saúde. Saúde pública exige mudanças (=conversão) pessoais (alimentação, ritmo de vida, higiene pessoal…), comunitárias (respeito pelos outros e pelo ambiente, campanhas…) e sociais (saneamento básico, estruturas, verbas…).

No Brasil existem, no momento, 5 grandes preocupações quanto à saúde pública:

  • doenças crônicas não transmissíveis (hipertensão diabete, câncer, AVC e outras)
  • doenças transmissíveis (AIDS, tuberculose, gripe, dengue e outras)
  • comportamentos de risco que podem ser mudados (fumo, obesidade entre outras)
  • dependências de álcool e drogas
  • outras causas como violência e acidentes (trânsito e trabalho especialmente)

Como cristãos acreditamos na vida e no Senhor da vida que nos chama a continuar a sua missão: “eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (João 10, 10).

Como cristãos acreditamos que podemos mudar as situações de pecados que encontramos em nós e na sociedade porque “para Deus nada é impossível” (Lucas 1, 37).

Como cristãos acreditamos que fazemos parte de um único corpo e que os sofrimentos dos irmãos são os nossos sofrimentos. Não podemos, como Caim, dizer “sou por acaso o guarda de meu irmão?” (Gênesis 4, 9): o que fizermos para os nossos irmãos vai fazer muita diferença na vida deles.

Por isso vamos realizar a conversão no campo da saúde pública respondendo a estas perguntas:

  • O que EU posso fazer?
  • Qual o NOSSO compromisso?
  • Qual a mudança SOCIAL e de POLÍTICAS PÚBLICAS vamos exigir?

Para todos nós, uma feliz e abençoada quaresma.

Dom Flávio Giovenale, bispo de Abaetetuba (PA) e presidente da Cáritas Brasileira

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