A participação da Rede Cáritas na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável Rio+20, teve início com um painel sobre economia solidária, em que especialistas e colaboradores da Cáritas Brasil, França, Peru e Costa Rica, fizeram uma reflexão e realizaram um intercâmbio de experiências como uma alternativa para contribuir com o desenvolvimento humano sustentável das nações e sua relação com a ecologia.

Durante a plenária, também foram compartilhados ensinamentos sobre o conceito de economia, entendida como a soma das atividades de produção, distribuição e consumo que democratizam a economia. Também, relatadas as boas práticas sobre experiências positivas, impulsionadas pela Cáritas em todo mundo.

Humberto Ortiz, secretário executivo da Comissão Episcopal de Ação Social (CEAS) da Conferência Episcopal do Peru, apresentou um panorama da economia solidária no contexto da Amazônia e a dinâmica econômica das indústrias extrativistas. Além disso, o secretário ressaltou importantes recomendações para introduzir com mais força o conceito da economia solidária na região da América Latina:

a) reconhecer a economia solidária como produtora de bens e serviços de utilidade social;

b) potencializar a economia solidária e toda sua força para a criação de uma economia ecológica;

c) promover o diálogo inter-setorial com outros atores, tanto econômicos quanto sociais, não somente uma aliança pública privada, mas também social, onde a solidariedade seja uma elemento transversal;

d) promover políticas públicas para o desenvolvimento desta economia solidária em nível local, nacional e internacional.

Já Ademar Bertucci, assessor nacional da Cáritas Brasileira e membro da coordenação nacional do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, destacou que “para garantir o reconhecimento da economia solidária devemos lutar por direitos e por uma legislação própria em todos os países, que afirme a existência de uma economia com força e que responda a maioria dos trabalhadores dos nossos países.”

Bertucci também enfatizou a importância de uma articulação dos movimentos e das práticas de economia solidária que garanta as especificidades de cada região, pois a diversidade é um aspecto fundamental para a compreensão que deve ser incluída na geração do desenvolvimento sustentável e solidário.

Jacqueline Hocquet, responsável de Incidência para a América Latina da Cáritas França, compartilhou uma experiência relacionada a temática a partir da perspectiva da Europa e suas contribuições para a criação de empregos e desafios que esta proposta de economia tem no continente.

A experiência na América Latina e no Caribe na promoção de práticas em economia solidária tem tido resultados positivos, como demonstrou Wendy Campos, colaboradora da Cáritas Costa Rica, que apresentou o caso de Coopetarrazú, um grupo de campesinos de São José da Costa Rica que há 50 anos iniciou a criação de uma cooperativa para a produção de café apoiada pela Cáritas do país. Hoje a cooperativa conta com 3 mil empregados, dando um bom exemplo de economia solidária na América Central.

por Laura Chacón, assessora de Comunicação da Cáritas Colômbia  

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