Os delegados das várias Cáritas que participam da Cúpula dos Povos e da Rio + 20, começaram as atividade do dia 19 de junho no Clube Boqueirão no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro (RJ).

Uma assembléia com centenas de pessoas se formou para participar da mesa que tratou sobre os novos paradigmas de civilização, para uma justa sustentabilidade e pela democratização do desenvolvimento. A mesa para tratar da temática contou com a presença de expositores do Brasil, Itália, Portugal e Espanha.

O economista espanhol, Joan Martinez Alier, salientou a necessidade de os movimentos reunidos na Cúpula apresentarem suas revoltas em relação à Conferência Oficial das Nações Unidas, e não somente com a proposta de economia verde, mas também do próprio desenvolvimento sustentável. Essas duas ideologias, segundo ele, apresentam contradições em suas construções.

O padre italiano Alex Zanotelli, num discurso sobre o que esperamos para o futuro, ressaltou a importância dos trabalhos comunitários. “Nosso trabalho deve se dar a partir da base, com as pessoas que estão na base. Isso porque a esperança não vem do alto, o outro mundo que queremos não virá com a reunião dos chefes de estado”, afirmou Zanotelli.

Para Giuseppe de Marzo, estamos no momento de avaliar os 40 anos de desenvolvimento sustentável. “O desenvolvimento sustentável não funcionou, e também as conferências oficiais dos últimos 20 anos como a do clima e agricultura fracassaram”, disse ele. Giuseppe foi também incisivo ao afirmar que a solução para as crises não está na aplicação de novas tecnologias, mas sim na mudança de paradigmas, na construção de um novo modelo de democracia.

O teólogo, escritor e professor brasileiro, Leonardo Boff, grande defensor e articulador dos movimentos por justiça ambiental, expressou mais uma vez sua preocupação com os problemas ambientais. Para ele, o pensamento neoliberal que desencadeou todas as crises não pode ser o mesmo que irá solucioná-la. “Se assumirmos que existe a mãe Terra em cada um de nós, isso já é um grande passo para reafirmarmos que existem alternativas ao modelo atual de desenvolvimento”, salientou Boff.

Para encerrar a mesa, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, fez um paralelo entre o Fórum Econômico e Davos e o Fórum Social Mundial, ambos em 2001. “Hoje o Fórum Econômico de Davos está reunido na Rio+20, e o Fórum Social Mundial está reunido na Cúpula dos Povos.” O sociólogo ainda trata sobre as injustiças ambientais sofridas por um conjunto muito grande de grupos vulneráveis como mulheres, jovens, homossexuais, quilombolas, ribeirinhos e tantos outros. E concluiu Boaventura: “Não faz sentido lutar pelo meio ambiente se não se luta por terras quilombolas, contra a violência, o racismo e o massacre de grupos vulneráveis.”

Delegação de Cáritas, presente!

por Leon Patrick, da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais / Fotos: Nando Zamban, assessor de Comunicação da Cáritas Regional Santa Catarina

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