O debate ocorreu durante as atividades não oficias da Rio+20 e contou com a participação da Cáritas Brasileira

Com o objetivo de promover soluções concretas, práticas e éticas para o desenvolvimento humano integral, como previsto pelo Papa Bento XVI na Encíclica Caritas in Veritate, por meio de discussões temáticas sobre segurança alimentar e agricultura sustentável, a Santa Sé, a Caritas Internationalis, os Franciscanos Internacionais e a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Solidariedade (CIDSE), realizaram uma atividade na Rio+20, na tarde de terça-feira, dia 19, cujo tema foi “Agricultura e Sociedade Sustentável: segurança alimentar, terra e solidariedade.”

Participaram da mesa o cardeal Odilo Scherer Pedor, arcebispo de São Paulo enviado especial pelo Santo Papa Bento XVI à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável Rio+20, Paul Yembuado Ouédraogo, da Cáritas Internationalis e arcebispo de Bobo-Dioulasso em Burkina Faso, Gisele Henriques, diretora de advocacia para alimentação, agricultura e sustentabilidade da CIDSE, padre Luis Scozzina, do Centro Franciscano de Estudos e Desenvolvimento Regional, e Maria Cristina dos Anjos, diretora executiva nacional da Cáritas Brasileira. O mediador do debate foi o representante do Vaticano na Organização das Nações Unidas (ONU), o monsenhor indiano Francis Chulikatt.

A proposta do evento também foi socializar experiências realizadas por organizações como a Cáritas que, inspiradas pela fé, promovem um amplo trabalho junto às populações e comunidades mais afetadas pela miséria e falta de acesso a alimentos. “É fundamental cultivar a consciência do público para as responsabilidades globais, morais e sociais que temos uns com os outros, através do envolvimento das comunidades locais e internacional, para o direito universal de todos os seres humanos, sem distinção ou discriminação, ao acesso a água e ao alimento”, enfatizou dom Odilo.

O arcebispo Paul Yembuado Ouédraogo, apresentou uma experiência em Sahel, um país africano que sofre com as mudanças climáticas e com os fortes impactos que resultaram em uma crise alimentar e desnutrição. O projeto é desenvolvido essencialmente para a recuperação e segurança alimentar e nutricional da população.

Maria Cristina dos Anjos levou para a plenária a experiência de Segurança Alimentar e Nutricional em acampamentos e pré-assentamentos da Reforma Agrária no Semiárido brasileiro. Após discorrer um breve histórico sobre o início das ações da Cáritas no Brasil, a diretora executiva da entidade destacou os resultados alcançados com o projeto desenvolvido nos estados de Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Pernambuco. “Desenvolvíamos trabalhos voltados essencialmente para a distribuição de alimentos, mas hoje os programas promovem a organização, a produção e a luta por direitos das comunidades, além da reflexão para um desenvolvimento solidário sustentável e territorial.” O programa de Segurança Alimentar e Nutricional na região do Semiárido atende mais de 18 mil pessoas de 380 comunidades.

Maria Cristina ainda destacou que os princípios trabalhados por toda Rede Cáritas são o aumento da qualidade de vida, da preservação ambiental, a autonomia e o fortalecimento das comunidades. “Nós acreditamos que todas e todos têm o direito a alimentação, mas não somente no sentido do alimento em si. Nosso sonho é que um estarmos todas e todos juntos na mesma mesa com irmãs e irmãos com dignidade, fazendo parte de um mesmo banquete.”

por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira / Secretariado Nacional

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