Um dos participantes do Encontro Internacional de Jovens da Cáritas

José Carlos Gonçalves, conhecido Zé Carlos, foi um entre os 100 jovens de todo Brasil e América Latina, convidado a participar do Encontro Internacional dos Jovens Cáritas, 13, 14 e 15 de Julho em Mario Campos próximo a Belo Horizonte. A trajetória de vida dele contribuirá para ajudar a refletir qual é a realidade das juventudes da América Latina.

Em Entrevista Zé Carlos adianta e compartilha um pouco da sua visão de mundo sobre as juventudes, as riquezas e os dilemas dos jovens da comunidade rural de Cabeceirinha, município de Januária, norte de Minas Gerais e como ele, através dos incentivos da Cáritas, conseguiu superar os desafios da vida.

Cáritas- Olá José Carlos, gostaríamos de lhe conhecer melhor, seu nome, idade, a comunidade onde você mora. Conte-nos um pouco sobre a juventude, o que gostam de fazer e quais os dilemas.

José Carlos – Eu sou José Carlos Gonçalves Santos, tenho 22 anos e sou da comunidade rural de Cabeceirinha na cidade de Januária.

Lá é um ótimo lugar para descansar, tem muita natureza. O ar é puro. Não tem correria da cidade. Muitos jovens vão para lá no fim de semana para descansar. A festa de Santo Reis são muito bonitas e as festas juninas também são boas. Na época das festas é o período que vão mais jovens para as comunidades.

Na comunidade a maior dificuldade é o emprego para jovens, porque na comunidade não tem nada que gere renda. A agricultura familiar não é suficiente e às vezes tem jovens que não gostam desse trabalho. A falta de escola na comunidade também é um problema, pois só vai até o ensino fundamental. Essa carência está afastando os jovens da comunidade.

Cáritas – Você disse que a dificuldade dos jovens da comunidade é conseguir emprego e de muitas vezes não gostar do trabalho da roça, além da falta de escola após o ensino médio. Como você enfrentou estes dilemas?

José Carlos – Foi através da Cáritas quando eu tinha apenas 10 anos de idade através do projeto “Nossa Terra Solidária” que incentiva a família e a comunidade a garantir o aluno na escola e por causa do projeto conheci a Escola Família Agrícola (EFA) que mudou o rumo que eu daria para a minha vida. Antes eu queria ser professor de matemática e não achava bom o trabalho na roça.

Através do apoio financeiro do projeto pude estudar na EFA junto com outros jovens e completei o ensino médio junto com técnico agrícola. Participar da escola me fez seguir outro rumo do que eu pretendia seguir. O contato com a agroecologia, a agricultura familiar, produzir alimentos saudáveis, proteger a natureza, mudou meu modo de ver as coisas, eu passei a valorizar muito mais essas coisas.

Essa história me fez ficar mais próxima da minha comunidade, eu passei a gostar da agricultura do trabalho na roça e hoje trabalho na Cáritas como Animador Social junto com os agricultores/as.

Cáritas – Você disse que a Cáritas teve um papel na sua vida. Qual você acha que foi o impacto do projeto na vida dos outros jovens da comunidade?

José Carlos- Eu acho muito bom isso da Caritas trabalhar com a juventude, na minha comunidade ajudou muito o modo do jovem ser, aumentou sua autoestima. Agora ele fala, participa das atividades sem ter vergonha e isso foi muito importante.

por  Priscila Souza e Paula Alves, comunicadoras populares da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais

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