A caridade do jeito Cáritas pode ser inicialmente explicada pela própria imagem que caracteriza a entidade.

A cruz isósceles (de braços iguais) é um símbolo milenar, talvez tão antigo quanto à história da humanidade. Para vários povos, em épocas diversas, seu significado é similar a “eixo do mundo”, “unidade do todo”, “verdade”.

A primeira Cáritas surge na Alemanha, em 1897, e o nome da instituição foi inspirado na afirmação de São Paulo: “Caritas Christus urget nos!”, em português: “O amor de Cristo nos impulsiona”.

A cruz isósceles que simboliza a verdade, em sua forma flamejante, unida ao nome Cáritas (caridade/ amor) traz como significado a verdade e o amor irradiante de Cristo pela humanidade. O vermelho chama para o significado do amor, da salvação e da paixão ideológica que impulsiona centenas de milhares de agentes Cáritas.

Diferente da caridade puramente assistencialista, a Rede Cáritas acredita em uma CARIDADELIBERTADORAque leva as pessoas à organização, ao engajamento.

Nossa espiritualidade é a vivência da caridade libertadora. Somos Cáritas, isto é, caridade. Mas não queremos nem aceitamos que ela seja reduzida ao que foi sendo entendido como caridade: a prática de dar alguma coisa ou algum dinheiro a alguém sem interessar-se por ele, talvez desejando ver-se livre e distante dele. Esse tipo de prática transforma a pessoa que recebe em objeto de dó ou de comiseração de um outro estranho, e faz desse estranho alguém que se considera separado do que se apresentou com alguma necessidade, provavelmente alguém que se considera melhor do que o outro. As duas pessoas se despersonalizam nessa relação mal realizada. De toda forma, essa caridade não liberta; pelo contrário, mantém e aprofunda os processos que geraram a existência de pessoas que sobrevivem em precárias condições e que não se sentem com poder para transformá-las.

A caridade libertadora se faz presente em todas as formas de solidariedade, mesmo nas de socorro imediato, desde que realizadas como reconhecimento de um direito das pessoas e como um convite para uma prática maior de cidadania. E vai até as ações que têm como objetivo a transformação profunda das estruturas econômicas, políticas, sociais, culturais de uma sociedade. Ela assume que essa transformação profunda, em sociedades capitalistas como a nossa, só se tornará possível se caminharmos na direção da socialização dos espaços, das oportunidades, da riqueza, o que significa que deverá passar por processos revolucionários. A caridade libertadora só tem compromissos com a humanidade e com Deus, e alimenta a liberdade de doar a vida, como amor humano que revela o amor a Deus e o amor de Deus, em favor da libertação do próximo, seja cada pessoa, seja um povo, seja a humanidade. Libertação que é um processo e que alcança e mexe com todas as dimensões da existência.

A caridade libertadora vê no pobre o explorado no seu trabalho e procura despertar o cristão para a solidariedade na luta pelos seus direitos.

Dar o peixe, ensinar a pescar, pescar juntos!

Hoje, a Cáritas Brasileira em conjunto com todos os seus agentes, conseguiu integrar essas três práticas: do assistencial e emergencial (dar o peixe), para o promocional (ensinar a pescar), para o projeto de Desenvolvimento Sustentável Solidário endógeno, isto é, de dentro para fora (pescar juntos).

Com a perspectiva do Desenvolvimento Sustentável Solidário nos territórios, o horizonte de pescar juntos favorece ações integradas, sejam emergenciais, sejam promocionais, e essa integração faz parte de uma caminhada histórica da Rede Cáritas.